Millena Batista
Psicóloga e Psicanalista
O feminino como posição subjetiva
Na psicanálise, o feminino é uma forma de existir em relação com o que falta, com o que escapa. Escapa à normatividade fálica. O que vale ressaltar que o falo não se reduz ao órgão genital, mas representa uma estrutura de poder e sentido. O feminino, assim, pode atravessar qualquer corpo, não se deixa capturar totalmente pela linguagem ou pelas normas sociais.
A mulher e o laço social
A psicanálise escuta o modo como as mulheres são atravessadas pelas exigências do laço social — nos afetos, nas funções, nos lugares que ocupam ou recusam. Ao sustentar a palavra singular, a clínica oferece um espaço para que cada uma possa reescrever o que a atravessa e inventar outros modos de existir num modelo patriarcal.
Psicanálise com crianças
A escuta psicanalítica com crianças reconhece que algo do sujeito se anuncia antes mesmo da fala estruturada. O brincar, o gesto e o corpo falam. O sujeito está em constituição e, nesse processo, é preciso considerar também os enredos que atravessam os laços com os adultos. Não se trata de ajustar comportamentos, mas de abrir espaço para que algo singular da criança possa surgir e ganhar lugar.
Educação e arte como forma de subjetivação
Estuda práticas educativas e artísticas como dispositivos de subjetivação, onde a escuta e o cuidado operam de modo implicado. Apoiada na pedagogia freiriana e em diálogo com a psicanálise, propõe uma educação que reconhece o sujeito em sua singularidade, e aposta na linguagem, no afeto e na criação como práticas de liberdade. A articulação entre arte, escola e clínica permite cuidar da saúde mental como experiência viva, coletiva e política.
